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Soft Power, Hard Power e Smart Power: O uso dos poderes no desenvolvimento chinês. - Mariana Roseo (2020)

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A China tem se reinventado nos últimos anos, se destacando com o crescimento acelerado de seu PIB e do seu desenvolvimento socioeconómico. A fim de entender o posicionamento atual do governo chinês, devemos relembrar as grandes transformações que o país está passando desde o final dos anos 70. Os chineses romperam com a política de isolamento e estão cada vez mais se abrindo para o mundo, fazendo com que diversos países queiram e tenham a necessidade de se aproximar da República Popular da China. Porém, para que esse crescimento fosse possível, o governo chinês utilizou com inteligência as três formas de poder, apresentadas pelo Professor Joseph Ney e aplicadas nas Relações Internacionais, denominadas de Soft Power, Hard Power e Smart Power.

Primeiramente, no ano de 2007, a China começou a investir fortemente no seu poderio militar, levando a um aumento significativo de seu Hard Power. O Exército Chinês entrou em um processo grandioso de transformação, contou com a juda de tecnologia vinda da Rússia, renovando toda sua frota nos últimos anos.

Além disso, a China também tem se tornado um grande exportador de armas, oferecendo armamento de altíssima tecnologia por quase a metade do preço daqueles vendidos pelos Estados Unidos. Fazendo assim, com que tenha grande influência sobre diversos países no mundo. No entanto, o presidente Hu Jintao percebeu que, se investisse apenas em armamento e tecnologia bélica, iria se afastar e assustar os seus vizinhos. Mas, se investisse em Soft Power ao mesmo tempo, iria diminuir as chances de atrair inimigos, além de, ganhar força e acelerar o seu desenvolvimento. Dessa forma, a ascensão Chinesa foi marcada também por um grande desenvolvimento nas áreas tecnológica, econômica e social, tornando-a uma grande potência mundial. Em conjunto ao seu desenvolvimento, a China instaurou no Sistema Internacional um novo modo de realizar o Soft Power, através da cooperação em diversas vertentes.

O Soft Power Chinês é caracterizado por se desenvolver de maneira pacífica e harmoniosa, com o objetivo claro de modificar a visão mundial que há sobre a China. Diante disso, através das relações comerciais e de fortes investimentos na educação, a potência se mostra eficaz em incentivar o intercâmbio de estudantes do mundo inteiro para o país. Como exemplo, o país oferece aulas de chinês, por meio do Instituto Confúcio, com o objetivo de estimular o conhecimento da língua e cultura chinesa no estrangeiro, aumentando a sua importância no futuro, inclusive para a realização de negociações internacionais.

Em suma, a China têm se mostrado um país que sabe articular e planejar o uso de suas políticas e fazer com que as mesmas sejam uma forma de afirmação e influência sobre outros países. O país está evoluindo, principalmente, pela combinação do Soft Power e Hard Power, denominado então pelo Professor Joseph Ney como Smart Power.

A fim de exemplificar o Smart Power Chinês, o país possui cerca de 35% das reservas e o controle de 97% do comércio mundial das terras-raras. Dessa forma, o uso e a venda das mesmas, garante que o país tenha como negociar a distribuição do produto e escolher quem terá acesso a essa matéria prima de extrema importância. Fazendo com que aumente o interesse dos outros países em fazer comércio com a China e que cada vez mais queiram se aproximar do país.

Antes da pandemia, acreditava-se que em aproximadamente 10 anos, a China se tornariaá a maior potência mundial devido a sua estratégica utilização de políticas educacionais, ao seu forte desenvolvimento tecnológico, a cooperação diplomática com os Estados em desenvolvimento e, ainda, sua soberania gerada a partir de sua vasta capacidade militar e econômico-financeira.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


MARTINELLI, C. O Jogo Tridimensional: o Hard Power, o Soft Power e a Interdependência Complexa, segundo Joseph Nye. 2016. Recuperado em 09 de maio de 2020, de
http://www.humanas.ufpr.br/portal/conjunturaglobal/files/2016/06/5-Caio-BarbosaMartinelli.pdf

PINTO, D. O Smart Power Como Um Novo Projeto De Poder Na Esfera Internacional: Uma Análise do Brasil e sua Inserção Internacional nos Governos de Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula Da Silva. 2016. Recuperado em 09 de meio de 2020, de http://repositorio.unicamp.br/jspui/bitstream/REPOSIP/305057/1/Pinto_DanielleJacon Ayres_D.pdf

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KOREH, R. The Chinese Smart Power Strategy. 2015. Recuperado em 08 de maio de 2020, de https://harvardpolitics.com/world/chinese-smart-power-strategy/

 

 


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