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Visita de Estado a Portugal do Presidente da República Popular da China

No âmbito desta visita oficial do Presidente Xi Jinping a Portugal, o Dr. Rui Lourido, Presidente do Observatório da China, foi entrevistado pela agência de notícias Xinhua, pelo jornalista Qi Yang.

As questões colocadas ao Presidente do Observatório da China relacionam-se com a expectativa sobre esta visita a Portugal e o estado das relações bilaterias entre a China e o nosso país, às quais Rui Lourido respondeu e o Observatório da China divulga na sua íntegra.

 

Pergunta 1: Na sua opinião, o que significará a visita do Presidente Xi em relação bilateral entre a China e Portugal?

 

A visita do Presidente Xi Jinping é de grande importância para as relações diplomáticas oficiais entre Portugal e a China, que perfazem 40 anos no ano de 2019 (7 de fevereiro de 1979). Portugal é um parceiro empenhado no desenvolvimento da parceria estratégica que estabeleceu com a China, em 2005. Portugal é o país europeu com a mais longa presença contínua e pacífica com a China (mais de 500 anos). O conhecimento sobre a China começou há muitos séculos, com o estabelecimento de relações informais, desde 1513, quando começámos a comerciar com a China em Guangdong. Por outro lado, a amizade entre os dois povos consolidou-se com a construção pacífica da cidade de Macau, que ainda hoje tem o Português como língua oficial. Portugal é hoje o 5º maior recetor de investimentos chineses na europa (logo após a Grã Bretanha, França, Alemanha e Itália).

 

Pergunta 2: Qual é a sua expetativa da visita?

 

Consideramos (eu e o Observatório da China) esta visita ao mais elevado nível diplomático, como de grande importância, para o aprofundamento das relações entre a China e Portugal quer a nível económico, mas também cultural.

 

Portugal tem uma posição geoestratégica relevante, que pode ser uma mais-valia como facilitador das relações da China com a Europa e os Países Lusófonos. A participação ativa  na iniciativa "Uma Faixa, Uma Rota", dará a Portugal uma centralidade geopolítica, que não possuía desde há muitos séculos. Portugal será uma grande plataforma redistribuidora do comércio do Oriente, em especial da China, para a Europa.  Na nossa opinião deveremos dar uma especial atenção à estratégia lusófona da China para compreender e enquadrar o grande boom do comércio Chinês nesses Países (em especial Brasil, Angola e Portugal). Até agosto de 2017, o comércio entre os países lusófonos e a China aumentou 30,2% face ao ano anterior.

 

O Observatório da China espera que possam ser intensificadas com a China as relações culturais e na área das indústrias criativas, para além da presença já importante no setor da energia, dos seguros, da saúde e das finanças.

 

Pergunta 3: Qual é a sua avaliação da relação bilateral no momento?

 

Estamos no ponto mais elevado das relações Portugal-China. Portugal aceitou participar ativamente na iniciativa chinesa “Uma Faixa e uma Rota”, sendo um dos 60 países membros fundadores do Banco de Investimento em Infraestruturas Asiático. No passado mês de maio de 2018 os ministros dos negócios estrangeiros Chinês e Português (Wang Yi e Augusto Santos Silva) decidiram intensificar as suas relações naquele âmbito.

 

A China tem-se revelado um líder da liberdade de comércio no contexto da globalização. Tem feito um enorme esforço nacional na recuperação do ambiente, e internacionalmente é um defensor do acordo de limitação das alterações climáticas. As vias marítimas e a Zona Económica Exclusiva Marítima de Portugal são fundamentais para a afirmação internacional. Canal do Panamá é o acesso marítimo rápido e direto da Ásia/China a Portugal/Europa, sendo o porto oceânico de Sines o primeiro da Europa, que um navio vindo da Ásia encontrará na Europa.

 

A posição geoestratégica de Portugal e dos seus arquipélagos, como os Açores podem ser, igualmente, um importante centro para a investigação marítima e astronómica, que podem mobilizar parcerias científicas e financeiras com a China.

 

O Observatório da China vai organizar em 2019 uma série de eventos científicos e culturais, para comemorar os 40 anos das Relações Portugal-China (nomeadamente, desenvolver a Biblioteca digital Macau-China (já com 150 mil páginas -http://observatoriodachina.org/index.php/pt/fontes-macau-china); Conferência sobre “Uma faixa e uma rota”; 2 digressões de teatro, uma do grupo de Marionetes de Yangzhou e outra da ópera de GuangZhou). Temos o apoio da Embaixada da China em Lisboa e do Ministério da Cultura de Portugal.

 

      “Uma faixa e uma Rota” é uma iniciativa que promove a circulação dos seres humanos, dos produtos materiais, dos valores culturais, filosóficos, religiosos, científicos e tecnológicos, musicais e linguísticos. É aberta e inclusiva dos outros países disponíveis para comerciar com a China, que contribui para partilhar o desenvolvimento científico, económico e social com os países emergentes, na base do interesse mútuo e do valor maior da PAZ e de um MUNDO SUSTENTÁVEL.

 

Para concluir esta entrevista, a China tem igualmente sido uma defensora do multilateralismo, pelo que as repercussões civilizacionais da “Uma Faixa e uma Rota” são importantes para a humanidade, pelo seu contributo para um mundo pacífico, multicultural, multiétnico e MULTIPOLAR.