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China prepara medidas após incumprimento de empresas estatais.

Segundo o portal de notícias de informação económica Caixin, a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China (CNDR), órgão máximo de planeamento económico do país, vai aumentar a fiscalização sobre os projetos e os riscos das empresas que se querem financiar através da emissão de títulos nos mercados.

A CNDR afirmou ainda que vai trabalhar para melhorar a coordenação com as autoridades responsáveis por esse trabalho e que criará "o mais rápido possível" um sistema de controlo e deteção precoce dos riscos.

Trata-se de uma resposta das autoridades chinesas a uma série de incumprimentos ocorridos na semana passada numa empresa de mineração, um fabricante de semicondutores e uma construtora de automóveis, todas firmas sob tutela dos governos locais.

A Yongcheng Coal & Electricity Holding Group, operadora de minas, deixou de pagar as prestações e os juros sob títulos com alta classificação de crédito e avaliados em mil milhões de yuans (cerca de 128 milhões de euros).

De seguida, a Huachen Automobile Company deu início aos trâmites legais necessários para se submeter a um processo de reestruturação, por não ter conseguido cumprir o serviço de dívida de títulos emitidos também no valor de mil milhões de yuans.

A outra empresa é a firma de tecnologia Tsinghua Unigroup, uma importante fabricante de 'chips' afiliada à prestigiada Universidade Tsinghua, e que se declarou incapaz de pagar 1,3 mil milhões de yuans (167 milhões de euros).

O portal de notícias Yicai lembrou que esta empresa tem ativos de até 17.400 milhões de yuans (2.237 milhões de euros) em dívida emitida por meio de títulos, dos quais cerca de 6.000 milhões de yuans (771,3 milhões de euros) expiram no próximo ano.

O incumprimento destas empresas afetou a confiança nos mercados, onde as empresas estatais são normalmente vistas como investimentos de menor risco, pelo que as agências de classificação de crédito chinesas muitas vezes lhes atribuem uma classificação de crédito positiva.

"A ideia é que as garantias do governo a um banco ou empresa estatal afinal podem não proteger os investidores contra perdas, depois de anos a presumir que essas garantias eram sólidas", disse Logan, da consultora Logan Wright.

A situação é comparável à do Baoshang Bank, a primeira instituição financeira chinesa a colapsar em quase duas décadas, no ano passado.

Segundo a empresa de dados financeiros Wind, o incumprimento de títulos corporativos deve ultrapassar o do ano passado: em 2020, houve já 110 situações deste tipo, avaliadas em 126.280 milhões de yuans (16.233 milhões euros), enquanto no ano passado foram 184, estimadas em 149.400 milhões de yuans (19.204 milhões de euros).

A agência de notação financeira Fitch lembrou recentemente que empresas estatais chinesas com baixa classificação de crédito têm cerca de 700 bilhões de yuans (89.979 milhões de euros) em títulos que vencem este ano, mais do que as empresas privadas.

O Banco do Povo da China (banco central chinês) injetou 800 mil milhões de yuans (102.840 milhões de euros) no sistema financeiro, esta semana, para aumentar a liquidez.

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