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Butantan irá produzir CoronaVac sem depender de insumo da China em dezembro, diz Doria.

Fábrica que permitirá transferência de tecnologia para produção 100% nacional deve ser concluída em outubro, segundo João Doria. Governador afirmou ainda que a partir de janeiro de 2022, Instituto terá condições de assumir produção industrial da vacina contra a Covid-19.

O Instituto Butantan deverá produzir a CoronaVac sem depender da matéria-prima importada da China ainda em dezembro deste ano, segundo informou o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), em coletiva de imprensa na sede do Instituto nesta terça-feira (23).

De acordo com o governador, a obra da fábrica que permitirá a produção nacional do imunizante, desenvolvido pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto, será finalizada em outubro.

Após aprovação do espaço e transferência da tecnologia, o Butantan tem condições de assumir a produção industrial do imunizante. Doria estima que o processo seja concluído até o final do ano.

Atualmente, o instituto importa o insumo e fica responsável pelo envase, que é a etapa final de produção.

“Nós temos aí dezenas de funcionários trabalhando em jornadas de dez horas por dia para colocar a fábrica em conclusão até o mês de outubro. Em outubro, novembro, e dezembro, as instalações dos equipamentos serão feitas e ainda em dezembro deste ano termos a primeira dose da vacina do Butantan 100% produzida no Brasil. E a partir de janeiro, em escala evolutiva, para a produção industrial da vacina”, disse o governador.

Doria acompanhou o carregamento dos caminhões com 1,2 milhão de doses da vacina, que serão entregues nesta terça ao Ministério da Saúde. O montante faz parte das 3,9 milhões de doses que o Instituto Butantan entrega nesta semana ao governo federal.

Segundo o governo paulista, na quarta (24), serão entregues mais 900 mil frascos da vacina. Nos dias 25, 26 e 28 de fevereiro ainda estão previstas liberações de 600 mil doses diárias.

SP e mais 30 milhões de doses ao governo federal

Durante a coletiva desta terça (23), o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, disse que após finalizar a entrega das 100 milhões de doses previstas em dois contratos firmados com o governo federal, o instituto terá condições de entregar as 20 milhões de doses solicitadas pelo governo paulista para vacinar toda a população de São Paulo, conforme prometido pelo gestão de João Doria, e as 30 milhões de doses pedidas na semana passada pelo Ministério da Saúde.

“Doses adicionais poderão ser produzidas a partir de agosto. Terminando a entrega das 100 milhões [de doses] nós poderemos produzir as 20 milhões de São Paulo e as 30 milhões do Ministério e, eventualmente, ampliar essa solicitação”, disse Dimas Covas.

G1

Butantan culpa 'briga' entre Bolsonaro e China por atraso na entrega de doses da CoronaVac para o Ministério da Saúde.

O Instituto Butantan culpou o “desgaste diplomático” entre o governo federal e a China pelo atraso na entrega de doses da vacina CoronaVac para o Ministério da Saúde. Em nota divulgada nesta quinta-feira (18), o instituto disse que “o Ministério da Saúde omite a briga com a China" e "ignora fatos” ao atribuir o atraso ao Butantan.

A nota foi publicada pelo Butantan após o Ministério da Saúde anunciar que o atraso do instituto “quebra a expectativa do Ministério da Saúde de cumprir o cronograma divulgado”.

O contrato firmado entre o Butantan e o ministério para a compra de 46 milhões de doses para o governo federal prevê a entrega de 9,3 milhões no mês de fevereiro. No início do mês, o governo de São Paulo relatou dificuldades para importar matéria-prima da China.

Segundo o Ministério da Saúde, o Butantan vai enviar apenas 2,7 milhões de doses neste mês, o que corresponde a 30% do total previsto para fevereiro. Ainda de acordo com a pasta, o instituto avisou o governo federal do atraso apenas nesta quinta-feira, por meio de um ofício.

Já o Butantan disse que é “inacreditável que o Ministério da Saúde queira atribuir ao Butantan a responsabilidade pela sua completa falta de planejamento”. O instituto disse ainda que "não houve qualquer empenho da União na liberação dos insumos junto ao governo chinês".

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciou nesta quarta-feira (17) que o Butantan deve entregar um lote com 3,4 milhões de doses da vacina CoronaVac para o governo federal a partir da próxima terça-feira (23).

O anúncio foi feito em entrevista a jornalistas após a assinatura de um novo contrato entre o Butantan e o Ministério da Saúde para o fornecimento de mais 54 milhões de doses da CoronaVac para todo o país. Somadas às 46 milhões de doses compradas pelo governo federal em janeiro, essas 54 milhões devem totalizar 100 milhões de vacinas CoronaVac para o Ministério da Saúde.

Na ocasião, o diretor do Butantan, Dimas Covas, e o governador João Doria, não citaram a impossibilidade de cumprir as entregas para o governo federal previstas para fevereiro. As entregas que, segundo o Ministério da Saúde, estão atrasadas, correspondem ao primeiro contrato, que totaliza 46 milhões de doses.

G1

Dependência comercial do Brasil em relação à China bate recorde em 2020 – e deve ficar ainda maior.

Apesar das críticas abertas à China terem se tornado quase um mote da política externa brasileira durante os dois primeiros anos de governo do presidente Jair Bolsonaro, a dependência comercial do Brasil em relação ao país asiático bateu recorde no ano passado – e deve ficar ainda maior nos próximos anos.

A participação chinesa em tudo que o Brasil vende ao exterior vem crescendo, ano após ano, desde 2015. Mas essa escalada vinha acontecendo em ritmo mais lento: entre 2018 e 2019, por exemplo, essa fatia nas exportações aumentou pouco mais de 1 ponto porcentual. Com a pandemia do novo coronavírus, porém, a participação chinesa explodiu, avançando 4 pontos porcentuais: de pouco mais de um quarto para um terço das exportações, batendo em 32,3% em 2020.

Em um ano, as vendas aos chineses subiram de US$ 63,4 bilhões para US$ 67,8 bilhões (alta de 7%, em termos nominais), segundo dados do antigo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic), hoje ligado ao Ministério da Economia. E isso se deu enquanto o total das exportações brasileiras caiu de US$ 225,4 bilhões, em 2019, para US$ 209,9 bilhões em 2020, por conta da crise internacional.

Recuperação desigual

Dois fenômenos ajudam a explicar o aumento da dependência em relação à China no ano passado, diz o estrategista do Banco Ourinvest e ex-secretário nacional de Comércio Exterior, Welber Barral. “O Brasil exportou mais carnes para a China, já que a peste suína lá fez crescer a demanda pelo produto, e também subiu a quantidade de outros produtos básicos demandados por eles no segundo semestre.”

A expectativa do Banco Mundial é que o principal parceiro comercial do Brasil tenha crescido 2% no ano passado, enquanto a média mundial deve ser de uma queda de 4,4%.

Como efeito da retomada do país, os chineses voltaram a comprar do mundo, chegando a estocar alimentos, e as vendas de commodities brasileiras começaram a reagir, impulsionando o agronegócio, mesmo em um ano de recessão mundial.

“A China teve um desempenho muito bom no quarto trimestre de 2020. É um dos poucos países que devem ter crescido no ano, enquanto nos EUA, o número de mortos é assombroso e a pandemia segue descontrolada”, avalia o coordenador de Economia Aplicada do Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), Armando Castelar.

Ele lembra que o apetite chinês pelas commodities de que o Brasil depende para ter vantagem nas suas exportações – como a soja e o minério de ferro – deve crescer também este ano, dado que as projeções do Banco Mundial estimam uma alta de 7,9% do Produto Interno Bruto (PIB) do país e alguns analistas já projetam crescimento de 9%.

Enquanto isso, a economia americana, o segundo principal destino das exportações brasileiras, pode crescer 6%, caso o presidente Joe Biden consiga colocar em prática seu pacote de estímulos de US$ 1,9 trilhão. “A maior parte do crescimento da demanda pelos produtos brasileiros, portanto, se dará pela China e a nossa dependência vai aumentar”, reforça Castelar.

Relação conturbada

Parte dos atritos do próprio presidente Bolsonaro, do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e de aliados com os chineses se deve pelo alinhamento do governo brasileiro com o então presidente norte-americano Donald Trump, que não conseguiu conquistar um segundo mandato no ano passado.

Em algumas dessas demonstrações, Bolsonaro chamou de “vachina” a vacina fabricada pelo Instituto Butantan, em parceria com o laboratório chinês Sinovac, e desacreditou diversas vezes o imunizante contra o coronavírus. As declarações dos bolsonaristas chegaram a gerar reações irritadas da diplomacia chinesa ao longo do ano.

Enquanto os chineses ganharam terreno nas vendas brasileiras ao exterior, no entanto, as exportações para os Estados Unidos caíram 27,6%, de US$ 29,7 bilhões em 2019 para US$ 21,5 bilhões em 2020, afetadas pelo tranco no comércio internacional durante a pandemia.

“Apesar dos atritos com o Brasil, a China é pragmática e se planeja para o longo prazo. Eles sabem que, da mesma forma que Trump passou, Bolsonaro também vai passar”, diz Barral.

No fim de janeiro, temendo que as rusgas atrasassem o envio da matéria prima para vacinas, o presidente fez um giro em seu discurso e afagou o governo chinês em suas redes sociais, agradecendo a autorização para a vinda dos insumos.

“A revisão da postura do Brasil tem acontecido. É verdade que forçada pela necessidade de importar os insumos para a fabricação das vacinas contra a covid-19, mas é bom que o governo reveja sua postura e ponha os interesses do País em primeiro lugar”, completa Barral.

“De fato, a economia chinesa voltou ao patamar anterior à pandemia e é hoje a mais dinâmica. É a que entregou crescimento e, por isso, é natural que demande mais”, diz a economista Fabiana Datri, coordenadora de economia do Bradesco e que também é diretora econômica do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC).

A China, acrescenta Fabiana, abriu sua economia antes, conseguiu atender a sua própria demanda e depois a procura mundial por bens ligados à pandemia – máscaras, luvas etc. – e depois toda a parte de equipamentos usados para as atividades de home office, principalmente equipamentos eletrônicos, celular, cabos e fones.

Os analistas avaliam que a China se beneficiou no ano passado em duas pontas: primeiro, porque reconheceu e confirmou rapidamente a pandemia. Em seguida, por ter gerado os estímulos para responder à crise e ainda ganhar mercado. O Brasil, por sua vez, entrou na tendência global de demandar bens ligados à pandemia, seja eles na saúde ou tecnologia.

“Não é à toa que o valor do frete da China também explodiu. Mais uma vez, o que a gente pode perceber não é o Brasil ditando a sua exposição, mas a China ditando o ritmo não só do Brasil, mas do mundo inteiro”, avalia Fabiana.

Ex-diplomatas defendem pragmatismo

Vai ser difícil para o governo do presidente Jair Bolsonaro manter o discurso ideológico fortemente ‘antichina’, que marcou a primeira metade do seu mandato, se quiser que o Brasil evite atritos ainda mais graves com seu principal parceiro comercial. Sob condição de anonimato, um diplomata do Itamaraty que já serviu ao País em Pequim revelou que o discurso de representantes e apoiadores do governo Bolsonaro contra a China virou motivo de piada entre membros de outras representações diplomáticas, sobretudo em um momento em que o País depende mais do comércio com os chineses.

“É como se o dono de uma loja cheia de dívidas resolvesse, sem motivo aparente, ofender seu principal freguês. Iria à falência em pouco tempo.” E a opinião não é isolada: embaixador na China entre 1989 e 1992, Roberto Abdenur falou ao Estadão que a relação entre os dois países é mais de parceria do que de dependência, mas o governo brasileiro precisa reverter a “destruição” da política externa provocada desde 2019.

Já o representante do Brasil em Pequim de 2004 a 2008, Luiz Augusto de Castro Neves, aposta no pragmatismo chinês para contornar as tensões com Bolsonaro e diz que as negociações recentes de autoridades chinesas diretamente com governadores, em vez do Itamaraty, é parte da nova lógica internacional.

‘Houve uma destruição da política externa brasileira’

O saldo dos dois primeiros anos de governo Bolsonaro nas relações exteriores é destrutivo, avalia o ex-embaixador na China Roberto Abdenur. Na entrevista a seguir, o ex-diplomata, que também já representou o Brasil em Washington, ressalta que a postura de “subserviência” do governo brasileiro em relação ao ex-presidente americano Donald Trump foi ruim para o País sob diferentes aspectos.

InfoMoney

Empresa chinesa investe em banco digital brasileiro.

O banco digital brasileiro Nu Pagamentos SA, também conhecido por Nubank, anunciou na semana passada ter angariado US$400 milhões numa nova ronda de financiamento.

Num comunicado, o Nubank revela que o gigante chinês das redes sociais Tencent Holdings Ltd, que já era um accionista da empresa, também participou nesta ronda de financiamento.

A oitava ronda de financiamento do Nubank atraiu um grupo de investidores privados e públicos “conceituados”, entre os quais actuais accionistas do banco, sublinha o comunicado.

O Nubank está satisfeito por contar com o apoio dos investidores e aprender com as experiências dos parceiros para expandir o seu negócio, disse o Presidente da empresa, David Velez.

A nova ronda de financiamento irá permitir ao Nubank expandir os serviços lançados recentemente no México e na Colômbia, sublinhou o mesmo responsável.

O grupo Tencent investiu US$180 milhões, em 2018, na aquisição de 5 por cento do Nubank.

MacauHub

Cidade brasileira finalista em prémio chinês de inovação urbana.

São José dos Pinhais, do estado do Paraná, no sul do Brasil, é uma das 15 cidades finalistas da quinta edição do Prémio Internacional de Guangzhou para Inovação Urbana, anunciaram hoje os organizadores.

Segundo um comunicado, São José dos Pinhais foi escolhida graças ao projeto “Tecnologia digital e participação social na vigilância e definição de áreas e ações prioritárias para o controlo da febre amarela”.

O município brasileiro usou o Sistema de Informação em Saúde Silvestre (SISS-Geo), uma aplicação para telemóvel, para “transformar cidadãos normais em vigilantes da saúde pública”, através do registo de primatas mortos ou de áreas potencialmente contaminadas, referiu o relatório do comité técnico do prémio.

A aplicação permitiu às autoridades de saúde pública de São José dos Pinhais identificar possíveis surtos “com até dois meses de antecedência”, permitindo assim a vacinação da população contra a febre amarela.

“Não esperávamos um resultado tão bom, uma vez que a população foi atrás da vacina e eles se protegeram”, disse Haroldo Greca Júnior, médico-veterinário da Secretaria de Vigilância de Zoonoses de São José dos Pinhais, em dezembro passado, à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

A Fiocruz, um centro brasileiro de investigação médica sob a tutela do Ministério da Saúde, foi a responsável pela criação do SISS-Geo.

A candidatura de São José dos Pinhais ao Prémio Internacional de Guangzhou para Inovação Urbana nasceu de um convite dos organizadores, revelou a Fiocruz.

Isto após o SISS-Geo ter sido incluído na Plataforma de Soluções Tecnológicas para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, lançada pelo Departamento de Assuntos Económicos e Sociais das Nações Unidas.

A Fiocruz sublinhou que pretende alargar o projeto de São José dos Pinhais a todo o Brasil.

O júri do Prémio Internacional de Guangzhou para Inovação Urbana irá agora selecionar cinco vencedores, com cada um a receber um prémio no valor de 20 mil dólares (16,6 mil euros).

A edição deste ano do concurso recebeu 273 candidaturas de 175 cidades e governos locais em 60 países e regiões.

O prémio é patrocinado pela organização internacional União de Cidades e Governos Locais, pela Associação Mundial das Grandes Metrópoles e pelo governo da cidade de Guangzhou, no sul da China.

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