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Na cúpula dos Brics, Brasil assume agenda de Trump contra China.

Xi Jinping, presidente da China, e o presidente Jair Bolsonaro usaram a cúpula dos Brics nesta terça-feira para trocar críticas veladas, inseridas em discursos diplomáticos. Ao tomar a palavra no evento virtual organizado pela Rússia, o líder chinês defendeu ações ambientais e o Acordo de Paris, pediu a proteção ao multilateralismo e à ONU (Organização das Nações Unidas), citou indiretamente o acordo com o estado de São Paulo sobre vacinas e defendeu que, na crise da covid-19, a saúde seja prioridade. Xi não citou em nenhum momento o Brasil em seu discurso. Mas sua fala deixou claro a distância que existe entre Brasília e Pequim.

Já Bolsonaro, de seu lado, não fez qualquer referência ao multilateralismo ou à ONU e assumiu uma agenda defendida por Donald Trump contra a China. O brasileiro deixou claro sua posição ao tocar em temas delicados para a China e alertar sobre os riscos de uma nova geopolítica internacional ganhar corpo num período pós-pandemia. No Itamaraty, o temor é de que a nova era seja marcada por uma forte influência de Pequim. Não por acaso, Bolsonaro usou o discurso para indicar que o Brasil vai caminhar num sentido de evitar que tal influência se transforme em uma ameaça. 

Do lado chinês, o discurso mostrou a distância entre Xi e Bolsonaro. Um dos pontos destacados foi o ataque a políticas "isolacionistas", uma postura adotada pelo governo de Donald Trump e repetida pelo Itamaraty. Para Xi, atos de "bullying" estão aumentando no cenário internacional. O chinês insiste o risco de abandonar o multilateralismo. "A história nos mostra que o multilateralismo pode evitar guerras", disse Xi. Já o isolacionismo "vai aumentar a tensão e possibilidade de conflitos". O presidente chinês ainda pediu que os demais países dos Brics saiam na defesa do direito internacional e da ONU, além de criar uma oposição contra sanções unilaterais.

Ao longo dos últimos meses, o governo brasileiro tem rejeitado fazer um defesa explícita do multilateralismo e da ONU, insistindo que o princípio da soberania deve ser a prioridade. Acordo de Paris.

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