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Parceria entre Brasil e China é "irretocável" e deve ter um acordo prioritário, diz Lula.

O ex-presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010), afirmou nesta quinta-feira que a parceria entre Brasil e China é "irretocável" e defendeu um acordo prioritário entre os dois países.

Em entrevista à Xinhua, o ex-presidente brasileiro elogiou o modelo econômico chinês, salientando a prioridade dada ao combate à pobreza e a inclusão da sociedade chinesa no crescimento econômico.

"A China nos últimos 30 anos teve um crescimento econômico extraordinário, e com esse crescimento econômico, ele começa a dar mais certo quando as pessoas pobres começam a conquistar cidadania, a ter oportunidade de estudar, passam a ter empregos mais sofisticados e melhor remunerados", observou Lula.

Seguno o ex-presidente brasileiro que visitou a China três vezes durante o seu mandato, "o crescimento da China a cada década era um crescimento extraordinário".

"E esse crescimento não foi possível apenas porque a China cresceu economicamente, porque cresceu seu comércio exterior, porque a China avançou em ciência e tecnologia, ele foi muito importante porque teve da parte do governo China a ideia de que era possível combinar o crescimento econômico da China com o crescimento econômico da sociedade, o crescimento das exportações com o crescimento do mercado interno chinês, que é muito importante", disse.

Tratando da relação comercial entre Brasil e China, Lula se orgulha do salto nas exportações e importações entre os dois países que foi registrado durante sua administração e lamentou que o ritmo de crescimento das importações brasileiras à China tenha diminuído por conta do enfraquecimento da economia brasileira nos últimos anos.

Ainda no aspecto comercial, o ex-presidente defendeu um acordo prioritário entre os dois países. "Embora esteja fora da presidência há dez anos, eu estou convencido que a parceria do Brasil com a China é irretocável. Eu queria dizer que eu acho que a China é um parceiro que deve ter um acordo prioritário", afirmou o ex-presidente brasileiro.

Ele ainda destacou a importância da cooperação sino-brasileira em fóruns internacionais para o fortalecimento da relação bilateral. O ex-presidente listou a criação do BRICS e a participação de ambos os países em reuniões do G20 como fatores que auxiliaram na consolidação de uma "parceria muito forte entre China e Brasil".

Lula cumprimentou a China pelos esforços no combate à pandemia da COVID-19, afirmando que o país teve "a responsabilidade de cuidar melhor, tomar as medidas preventivas e evitar aglomerações".

Sobre a crise sanitária, o ex-presidente fez um apelo à convocação de uma reunião internacional em caráter extraordinário para discutir as repercussões e consequências globais do novo coronavírus.

"É importante que os países ricos, que os países do Conselho de Segurança da ONU, que os países que participam do G20, convoquem uma reunião de caráter extraordinário para se discutir os efeitos da COVID-19 na humanidade", clamou o ex-presidente.

"É importante que esses países ricos se reúnam e as patentes dessas vacinas sejam quebradas e elas não pertençam a laboratórios individuais, mas que sejam patrimônio da humanidade", disse.

Por fim, Lula expôs sua vontade de voltar a visitar a China assim que a crise do novo coronavírus tenha fim. "Eu quero voltar à China, quero conhecer melhor a China, quero visitar indústrias, quero visitar algumas obras excepcionais que foram feitas e quero conhecer melhor o funcionamento da economia", concluiu o ex-presidente.

Xinhua