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As florestas da China que absorvem mais poluentes do que se imaginava.

A política agressiva da China de plantio de árvores provavelmente está desempenhando um papel significativo na moderação dos impactos climáticos do país.

Uma equipe internacional identificou duas áreas chinesas onde a escala de absorção de dióxido de carbono por novas florestas foi subestimada.

A análise dos pesquisadores, baseada em observações terrestres e por satélite, foi publicada na revista científica Nature.

O sequestro de carbono ocorre quando um reservatório — como florestas — absorve mais carbono do que o libera, reduzindo assim a concentração de CO2 na atmosfera.

Mas, recentemente, o país declarou a intenção de atingir o pico dessas emissões antes de 2030 e então passar para a neutralidade de carbono até 2060.

As especificações de como o país alcançaria essas metas não são claras, mas inevitavelmente devem incluir não apenas reduções drásticas no uso de combustíveis fósseis, como também formas de retirar o carbono da atmosfera.

"Alcançar a meta de carbono zero da China até 2060, recentemente anunciada pelo presidente chinês Xi Jinping, envolverá uma grande mudança na produção de energia e também o crescimento de reservatórios de sequestro de carbono sustentáveis", diz o coautor do estudo, Yi Liu, do Instituto Atmosférico Física (IAP), da Academia Chinesa de Ciências, em Pequim.

"As atividades de florestamento descritas no artigo [da Nature] desempenharão um papel importante para atingir essa meta", acrescenta ele à BBC News.

O aumento das matas na China já é evidente há algum tempo. Bilhões de árvores foram plantadas nas últimas décadas para combater a desertificação e a perda de solo e para estabelecer indústrias vibrantes de madeira e papel, mas até agora estimava-se que seu efeito tivesse sido pouco exprressivo.

O novo estudo refina as estimativas de quanto CO2 todas essas árvores extras podem absorver à medida que crescem.

A biosfera terrestre sobre o sudoeste da China, de longe a maior região individual de absorção, representa um sequestro de cerca de -0,35 petagramas por ano, representando 31,5% do sequestro de carbono terrestre chinês.

Um petagrama equivale a 1 bilhão de toneladas.

A biosfera terrestre sobre o nordeste da China, dizem os pesquisadores, é sazonal, por isso absorve carbono durante a estação de cultivo, mas emite carbono em outras ocasiões. Seu saldo líquido anual é de aproximadamente — 0,05 petagramas por ano, representando cerca de 4,5% do sequestro de carbono da China.

Para colocar esses números em contexto, a China estava emitindo 2,67 petagramas de carbono como consequência do uso de combustível fóssil em 2017.

O coautor Paul Palmer, professor da Universidade de Edimburgo, no Reino Unido, disse que o tamanho dos reservatórios da floresta pode parecer surpreendente, mas apontou a concordância muito boa entre as medições espaciais e em terra como razão para confiar na análise.

"Declarações científicas ousadas devem ser apoiadas por grandes quantidades de evidências e isso é o que fizemos neste estudo", diz o cientista do Centro Nacional de Observação da Terra NERC à BBC News.

 

Ler artigo completo em: G1