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Myanmar. China pede resolução de diferenças dentro da lei.

As forças armadas do Myanmar prenderam a líder de facto do Governo civil, Aung San Suu Kyi, e declararam o estado de emergência por um ano, colocando os seus generais em posições-chave do poder.

O golpe, imediatamente condenado por várias capitais estrangeiras, é necessário para "preservar a estabilidade" do Estado, afirmaram os militares, num anúncio através da sua cadeia televisiva oficial.

Os militares acusaram a comissão eleitoral de não ter sanado as "enormes irregularidades", que segundo eles ocorreram durante as eleições legislativas de novembro, vencidas por esmagadora maioria pelo partido de Aung San Suu Kyi, a Liga Nacional para a Democracia (LND), no poder desde 2015.

"A China é um país vizinho amigo do Myanmar", reagiu hoje em conferência de imprensa o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Wang Wenbin.

"Esperamos que todas as partes interessadas resolvam as suas diferenças, de acordo com a Constituição e as leis, a fim de manter a estabilidade política e social", disse Wang.

O porta-voz disse que a China "está a tentar entender melhor a situação atual", após o golpe.

O golpe organizado pelo exército ocorre após anos de uma delicada divisão de poder entre o governo civil de Aung San Suu Kyi e os militares.

O Myanmar é um país chave no projeto de desenvolvimento comercial "uma faixa, uma rota", lançado pela China, que investiu milhares de milhões de dólares em minas, infraestruturas e gasodutos no país do Sudeste asiático.

O Presidente chinês, Xi Jinping, visitou a capital do Myanmar, Naypyidaw, em janeiro de 2020, onde assinou cerca de trinta acordos, a maioria para o desenvolvimento de infraestruturas.

Embora tenda a favorecer outros regimes autoritários, o Partido Comunista Chinês tem uma história turbulenta com os militares do Myanmar, devido a campanhas contra grupos étnicos minoritários chineses ou tráfico de drogas ao longo da vasta e montanhosa fronteira entre os dois países.

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