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Presidência da UE. Josep Borrell apela a que UE "defenda os seus interesses" na competição entre EUA e China.

O Alto Representante da União Europeia (UE) para a Política Externa, Josep Borrell, defendeu esta segunda-feira que a União Europeia deve “saber lidar com a dualidade” entre os Estados Unidos e a China e “defender os seus interesses”.

Alguém disse a brincar que [a doutrina geopolítica da UE] era a ‘doutrina Sinatra’, a ‘doutrina ‘My Way’ [à minha maneira]. Bem, porque não? Porque não à nossa maneira? Não significa agirmos enquanto cavaleiros solitários relativamente aos Estados Unidos — estaremos sempre mais perto deles —, mas não devemos cair na armadilha de ver dois gigantes a competir, ficarmos no meio e os nossos interesses não serem tomados em consideração“, sublinhou Josep Borrell num seminário da Fundação Robert Schuman intitulado “A União Europeia, um ator mundial”.

Reconhecendo que “o confronto pela liderança mundial” já está a ocorrer, o chefe da diplomacia europeia sublinhou que era “algo que estava escrito na história” devido à mudança que se operou na China “nos últimos 40 anos”, que passou de um “país pobre e isolado” a “potência sob todos os pontos de vista”.

“As bases do confronto estão objetivamente presentes, mas agora temos de ver como é que podemos resolver isso de maneira amigável, como é que a China pode inserir-se na nova ordem mundial e como é que irá jogar com a sua força e com a sua potência. Essa é a grande questão do nosso tempo”, destacou.

Nesse âmbito, o chefe da diplomacia europeia referiu que a relação entre a UE e os Estados Unidos deve ser “ambiciosa, mas também realista”.

“Não concordaremos em tudo, e o mundo, após quatro anos, já não é o mesmo: a ascensão da China está aí e, mesmo relativamente à transição climática, os Estados Unidos são fundamentais, mas menos fundamentais do que eram há cinco anos”, frisou.

Borrell enumerou assim um conjunto de pontos de discórdia entre os Estados Unidos e a União Europeia, sublinhando que não concorda com a “abordagem que os EUA seguiram relativamente a certos países da América Latina” e opondo-se também ao “expansionismo americano”.

“É preciso dizer claramente aos americanos: nós somos contra a aplicação extraterritorial das vossas leis. Vocês elaboram leis para as vossas situações, mas pretender que as vossas leis, votadas pelos vossos deputados, possam ser aplicadas aos franceses ou aos espanhóis que não os elegeram, isso não”, frisou.

Nesse âmbito, o Alto Representante da UE defendeu a autonomia estratégica da UE, referindo que não é “algo contra os americanos”, mas uma maneira de tornar a UE um “parceiro mais útil e mais forte” para os Estados Unidos. “A parceria não deve levar a uma dependência, nem de um lado, nem do outro”, apontou.

Borrell salientou, ainda assim, que os dois parceiros partilham uma “base comum”, que consiste no “sistema democrático e na economia de mercado”. “Quando partilhamos isso, estamos de um lado da linha e, quando não partilhamos, estamos do outro. E isso é o que acontece com a China, por exemplo”, frisou.

O Alto Representante defendeu assim que é preciso que os dois parceiros falem de maneira “franca”, tendo qualificado a conversa telefónica que teve segunda-feira com o novo secretário de Estado americano, Antony Blinken, de “muito positiva”.

“Tem uma experiência europeia. […] Essas coisas contam e ajudam, mas, no final de contas, cada um sabe quais são os interesses que defende e para quem é que trabalha”, referiu.

Observador