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Ano do boi. A China à espera de deixar a pandemia para trás.

O boi é o segundo signo do zodíaco chinês. Segundo a mitologia, foi o Imperador de Jade que organizou uma corrida para decidir quais os 12 animais que entravam no zodíaco chinês - por ordem de chegada. Ora, o boi ia terminar primeiro, mas acabou por ser o rato, que antes o convencera a dar-lhe boleia, quem saltou por cima da sua cabeça e chegou à meta primeiro. Agora que o Ano do Rato está a chegar ao fim, com o Boi a suceder-lhe no dia 12, a China - e o mundo - bem precisa para enfrentar uma pandemia e a crise económica consequente da fiabilidade do Boi, um signo cujos nativos se caracterizam por serem honestos e trabalhadores incansáveis, como o animal que os representa.

Mas será boi ou búfalo? "Em relação aos animais, na língua chinesa existe sempre uma designação geral para uma espécie. Por exemplo, a palavra "niu" serve para designar todos os animais com características de "niu". Depois, o ideograma "niu" é antecedido por um outro que funciona como adjetivo para distinguir diversas variedades da mesma espécie: shuiniu/búfalo (niu de água), huangniu/boi (niu de cor amarela), douniu/touro (niu de luta), maoniu/iaque (niu de "pelos compridos"), nainiu/vaca leteira (niu de leite). A designação geral recebe também outros adjetivos para distinguir o macho da fêmea, por exemplo, gongniu refere-se a todos os nius machos, búfalo, boi, touro, iaque, enquanto muniu, búfala, vaca....", explica Wang Suoying, a presidente da Associação Portuguesa dos Amigos da Cultura Chinesa.

Para a académica, doutorada em Linguística pela Universidade Nova de Lisboa e a viver em Portugal desde 1991, "em português não existe tal designação geral (apesar de podermos entender que o niu significa gado bovino), pelo que a sua tradução é liberal para português. Muitas pessoas preferem usar a expressão "Ano do Búfalo", pois o búfalo é um animal sobretudo asiático e gosta de mergulhar nas águas enquanto não trabalha, apresentando uma cena poética e exótica. Os chifres do búfalo costumam ser mais longos e curvados, com grande valor estético e artístico. A escrita mais antiga de niu é mesmo o desenho que reproduz a cabeça do animal com chifres longos e curvados", explica. Os signos chineses mudam de 12 em 12 anos - cuidado se nasceu em janeiro ou início de fevereiro porque pode apanhar a transição nos signos chineses. Este é o Ano do Boi (ou Búfalo) de metal. Cada um dos 12 animais do zodíaco chinês - Rato, Boi, Tigre, Coelho, Dragão, Serpente, Cavalo, Cabra, Macaco, Galo, Cão e porco está associado a um elemento: madeira, fogo, terra, metal e água (12x5=ciclos de 60 anos, logo o último Ano do Boi de Metal foi em 1961).

Pequenos, grandes, dourados, brancos e pretos ou coloridos, de peluche ou papel. Na banca de Gong Linhua, em Wuhan, há bois - ou búfalos - para todos os gostos. O que quase não há são clientes no mercado da cidade chinesa onde há pouco mais de um ano começou a pandemia de covid-19. O cenário cheio de lanternas vermelhas assinala a época festiva, mas falta a agitação em torno das bancas de decorações e das carrinhas de comida de rua.

"É a primeira vez em 20 anos neste negócio que estou nesta situação", explicou à Associated Press. As vendas de decorações para o ano novo lunar têm sido tão más, que a vendedora, de 60 anos, admite mesmo reformar-se mais cedo se a economia não recuperar.

E a China, onde a pandemia começou mas que, com rigorosas medidas de contenção, conseguiu manter o vírus muito mais controlado do que a maior parte dos outros países, até viu a economia crescer uns espantosos 6,5% no último trimestre de 2020 - fazendo subir a média do ano para um crescimento de 2,3% do PIB. Para 2021, em que se assinala o centenário do Partido Comunista Chinês, a previsão é que cresça 8,2% - um valor de fazer inveja, mas mesmo assim sem chegar aos dois dígitos a que habituou o mundo.
Apesar de tudo, também em Portugal, a comunidade chinesa está preocupada. " No zodíaco chinês, o niu, aliás, o búfalo ou boi, é considerado laborioso, empenhado, com os pés bem assentes no chão. Olhando para a história, em 2009, Ano do Búfalo anterior, a pandemia de gripe A (H1N1) tirou muitas vidas humanas e, com a luta árdua durante todo o Ano do Búfalo, a humanidade ganhou a vitória, oficialmente declarada pela Organização Mundial da Saúde um ano depois, no Ano do Tigre", recorda a professora Wang. Para a docente da Universidade de Aveiro e investigadora do Centro de Linguística da Universidade Nova de Lisboa, "o Ano do Búfalo, 2021, será um ano de trabalho em que a humanidade aprende a conviver com a pandemia, com o cumprimento rigoroso das medidas profiláticas".

Diário de Notícias

Arqueólogos encontram, na China, resíduos de creme facial de 2,7 mil anos.

Arqueólogos encontraram resíduos de uma substância — datada do período chamado Primavera e Outono, entre os anos 770 e 476 a.C — contida num pequeno recipiente de bronze, guardado dentro da tumba M49 do sítio Liujiawa, no condado de Chengcheng, província de Shaanxi, no Noroeste da China. O que chamou a atenção da equipe foi a posterior descoberta de que tal produto, considerado raro, era utilizado como creme facial pelos homens da aristocracia. O anúncio foi feito pelos pesquisadores na última sexta-feira, dia 5, conforme divulgou o portal de notícias chinês "Global Times" nesta terça-feira, dia 9.

A equipe da Universidade da Academia Chinesa de Ciências envolvida na escavação acredita que o material analisado, de 6 gramas e 2,7 mil anos, pode ser um dos primeiros cosméticos masculinos do país. Os cientistas ressaltaram que outros objetos semelhantes foram achados naquela mesma província, mas também na província de Shandong, no Leste da China. De acordo com os autores do estudo, tais recipientes representavam o status de quem utilizava seu produto cosmético, além e mostrarem a importância da indústria de beleza durante o período histórico Primavera e Outono.

O resíduo encontrado pelos arqueólogos era feito de gordura adiposa de ruminantes combinada com a substância do "leite lunar" das cavernas, que tem sido usada para clareamento da pele.

“É chamado de 'leite lunar' no contexto geológico e o resíduo era feito da substância do leite lunar misturada com gordura de boi. A substância é de cor branca; os dois juntos foram usados ​​por pessoas antigas para clarear sua pele”, explicou Yang Yimin, chefe de uma equipe de pesquisa da universidade ao "Global Times" nesta terça-feira.

O projeto arqueológico foi publicado recentemente na revista acadêmica Archaeometry, intitulado “A ascensão da indústria cosmética na China antiga: percepções de um creme facial de 2.700 anos”.

"De acordo com, principalmente, os objetos de sepultamento que foram descobertos na tumba, investigamos se o creme facial deveria pertencer à aristocracia masculina da época. Os dados que você observa usando seus olhos podem às vezes ser insuficientes; nós, portanto, usamos métodos tecnológicos para fazer mais explorações, como a análise de ingredientes e questões cronológicas", acrescentou Yang. "Esses recipientes de bronze foram descobertos em cerca de dez outros lugares na China. Juntos, eles simbolizam a natureza industrial dos cosméticos nos tempos antigos".

Extra Globo

O tesouro perdido do antigo palácio de verão da China volta para casa.

Uma escultura de cabeça de cavalo em bronze, um tesouro do Antigo Palácio de Verão da China que desapareceu após o saque das forças aliadas anglo-francesas há 160 anos, voltou ao palácio original na terça-feira.

É a primeira vez que uma importante relíquia cultural perdida do Antigo Palácio de Verão, ou "Yuanmingyuan", foi devolvida e hospedada em seu local original após ser repatriada do exterior.

Doze esculturas de cabeças de animais formaram um relógio de água do zodíaco em Yuanmingyuan, em Pequim, construído pelo imperador Qianlong da dinastia Qing (1644-1911). Os originais foram saqueados do jardim real pelas forças aliadas anglo-francesas em 1860 durante a Segunda Guerra do Ópio (1856-1860).

A cabeça do cavalo, projetada pelo artista italiano Giuseppe Castiglione e trabalhada por artesãos reais, é uma mistura artística do Oriente e do Ocidente.

O bilionário de Macau Stanley Ho comprou a cabeça de cavalo de bronze e decidiu doá-la à Administração do Património Cultural Nacional (NCHA) e devolvê-la à sua casa original.

O NCHA e os departamentos competentes do governo municipal de Pequim passaram um ano reformando o antigo Templo Zhengjue, o principal local de culto para os imperadores da Dinastia Qing no jardim, para um local de exposições, disse Liu Yuzhu, chefe do NCHA.

Uma exposição comemorativa do retorno da cabeça do cavalo foi inaugurada no templo, exibindo cerca de 100 itens, incluindo relíquias e fotografias.

A escultura da cabeça de cavalo foi devolvida ao palácio original em meio aos desafios trazidos pelo COVID-19, disse He Yan, da Sociedade de Planejamento Urbano de Pequim. "Isso também levou a uma atualização geral da segurança no Antigo Palácio de Verão, que permite exposições de longo prazo."

"Há um consenso internacional sobre a devolução das relíquias culturais perdidas a suas casas originais, e os esforços da China para trazer as relíquias para casa nos últimos anos aumentaram esse consenso", acrescentou.

Ler artigo completo em: China.org.cn

Wuhan: de epicentro da pandemia a um dos principais polos turísticos da China.

Naquela que foi uma das cidades mais afetadas por um vírus sobre o qual — naquela época — pouco se falava e do qual nada se sabia, a vida voltou ao normal.

E não só isso. Para a surpresa de muitos, Wuhan — onde o coronavírus Sars-CoV-2 foi detectado pela primeira vez, há quase um ano — agora se tornou um dos principais pontos turísticos da China.

Somente durante a Semana Dourada, período festivo do gigante asiático que vai de 1 a 7 de outubro, a Província de Hubei atraiu mais de 52 milhões de turistas que geraram receitas de aproximadamente US$ 5,2 bilhões, o equivalente a R$ 29 bilhões. E Wuhan, a capital regional, recebeu quase 19 milhões de visitantes, segundo dados do Departamento de Cultura e Turismo da Província.

Ao mesmo tempo, grande parte do mundo é atingido por uma segunda onda de covid-19, que em alguns países até afetou mais pessoas do que a primeira.Na França, o governo impôs toque de recolher em oito cidades, incluindo a capital, Paris. No Reino Unido, há uma situação semelhante: Londres e outras regiões da Inglaterra entraram em uma espécie de retorno ao confinamento, que as impede de encontrar pessoas de outras que moram em outras casas em locais fechados.

No continente americano, a situação não é melhor. Pela primeira vez desde o final de julho, os Estados Unidos (que já acumulam pelo menos 225 mil mortes por coronavírus) ultrapassaram 83 mil casos em um único dia na sexta-feira (23/10), enquanto a América Latina e Caribe superaram 10 milhões de casos positivos, com Brasil, Argentina, Colômbia, Peru e México encabeçando a lista por número de casos.

No entanto, do outro lado do mundo, "a cidade heróica", como a apelidou o presidente chinês Xi Jinping, o vírus parece uma lembrança desagradável e especialmente distante, se acreditarmos nos números oficiais.

O governo chinês garante que em Wuhan não há um único caso de coronavírus. No entanto, várias organizações e especialistas acreditam que essa afirmação deve ser vista com cautela.

"Wuhan renasce depois da covid-19 com mais força e vitalidade", disse Hua Chunying, diretora adjunta do Departamento de Informação do Ministério das Relações Exteriores, ao postar um vídeo promocional no Twitter.

 

Ler artigo completo em: G1

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