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EUA e China convergem e alinham-se apenas na questão climática

A Cúpula do Clima foi o grande assunto da semana passada. Não só pelo tema, mas também pelo facto do Presidente Joe Biden se estrear no cenário global como líder de uma bandeira (clima) e pela forma como os EUA e a China encontraram um ponto de convergência temática após o difícil primeiro encontro ocorrido em Anchorage, no Alaska, entre Anthony Blinken e Wang Jiechie.

Essa convergência e alinhamento entre EUA e China deverão permanecer apenas na área climática. Para a reunião do G7 em junho, os EUA estão a procurar, ao lado do Reino Unido, Coreia do Sul, Austrália, Índia e de outros países alinhados, uma grande parceria para rivalizar e desbancar o projeto chinês da Rota da Seda.

A Rota da Seda (Belt and Road, em inglês), é o plano de expansão, cooperação e financiamento de projetos de infraestrutura entre a China e quase 150 países. Desde 2013, a Rota da Seda elevou a capacidade chinesa de interlocução com países aliados e que viriam a ser aliados justamente por causa desse pesado investimento.

O governo de Joe Biden entende que a grande vantagem que a China tem no campo da política externa, é sua capacidade de ingressar no processo de tomada de decisões de países dependentes via linhas de crédito.

Os EUA, por outro lado, não conseguiam furar essa barreira visto que sempre utilizaram sua influência (variável) com organismos multilaterais para fornecer linhas de crédito. O desgaste do FMI e Banco Mundial, perante vários países latino-americanos e africanos, acabou abrindo uma enorme porta de oportunidades para os chineses.

Caso o plano de um projeto semelhante ao lado de britânicos, coreanos, australianos e indianos funcione e saia do papel, o foco inicial será o Sudeste Asiático, Leste da África e ilhas do Pacífico. Esta semana, uma discussão entre representantes desses países terá como intuito avançar o plano que será apresentado em junho.

Expansão da influência chinesa

Para a China, esse esforço indica dois sinais: o primeiro é que, com muitos anos de atraso, os EUA perceberam que todo o trabalho em cima da Rota da Seda acabou por gerar, de facto, uma expansão da influência chinesa no mundo.

O segundo, é que os EUA, juntamente com os outros países que estiverem dispostos a participar do projeto, terão de colocar a mão no bolso para que algo tão ambicioso e eficiente quanto a Rota da Seda saia do papel.

Algumas perguntas ficarão no ar e só o tempo nos responderá: até que ponto os cidadãos desses países envolvidos no novo projeto aprovarão linhas de financiamento no exterior? Como a China irá responder? Além do Indo-Pacífico, os EUA focar-se-ão em alguma outra parte do mundo?

As respostas podem ser especuladas: a paciência de cidadãos americanos e britânicos durará enquanto suas economias continuarem a mostrar sinais fortes de recuperação e os seus governos uma base estável de aprovação.

Segundo, a China tem dinheiro para gastar. Melhorar condições de financiamento e flexibilizar ainda mais as suas condições, são pontos que certamente serão feitos.

Terceiro, o Indo-Pacífico é hoje a região mais estratégica do planeta. Não há razões para que os EUA desviem o foco para outras regiões (pelo menos não neste momento), se o Indo-Pacífico é onde o futuro da disputa entre EUA e China se irá concentrar.

UOL