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Queda nas vendas da Tesla na China pode ser muito pior do que o imaginado

As vendas da Tesla na China, no mês passado, foram muito mais fracas do que pareciam originalmente.

Embora a empresa não divulgue vendas mensais ou receita regional, a Associação de Automóveis de Passageiros da China (CPCA, em inglês) estimou, no início desta semana, que as vendas da Tesla no país caíram 27% em relação a março para pouco menos de 26 mil veículos, muito pior do que o declínio geral de 10% nas vendas de veículos elétricos da China.

Mas isso não é tudo. A CPCA esclareceu que os números de abril incluem vendas de veículos fabricados na China, mas exportados para outros mercados. Mais de metade dos Teslas inicialmente relatados como vendas chinesas, 14.174, foram, na verdade, exportados.

Esse é um problema potencialmente sério para a Tesla, que abriu a sua segunda fábrica de montagem de automóveis em Shangai no final de 2019 especificamente para atender o crucial mercado chinês.

A China é o maior mercado mundial de vendas gerais de automóveis, e os veículos elétricos representam uma parcela muito maior das vendas de automóveis do que em qualquer outro mercado importante: cerca de 4,5% em 2020, mais do que o dobro da participação dos veículos elétricos no mercado de automóveis dos EUA no ano passado.

De acordo com o analista independente chinês do setor, Zhu Yulong, as vendas da Tesla para compradores chineses caíram mais de 60% entre março e abril.

Segundo informou Yulong, os novos registos de veículos Tesla segurados caíram para pouco menos de 12.000 veículos em abril, ante cerca de 34.500 em março. Essa diferença é praticamente a mesma em relação ao número da CPCA de veículos não exportados em abril e ao número total em março.

Vendas da Tesla estão a cair na China

Yulong acredita que a queda nas vendas se deve à má publicidade que a Tesla tem vindo a sofrer no mercado chinês desde o início de abril.

Os clientes protestaram contra a empresa no maior salão de automóveis da China, em Shangai, no mês passado, quanto a problemas com os seus carros.

A empresa também é alvo investigações em cinco agências reguladoras chinesas sobre a qualidade dos seus carros Model 3, fabricados em Shangai. A mídia chinesa também informou que os militares da China proibiram os veículos da Tesla de entrar nos seus complexos, expressando preocupações de que as câmaras a bordo pudessem ser usadas para espionagem. Uma acusação que o CEO da Tesla, Elon Musk, negou.

Segundo escreveu Yulong numa análise recente, “a Tesla sofreu uma cobertura negativa realmente forte recentemente. Isso prejudicou as suas vendas.”

Os críticos da Tesla nos Estados Unidos foram rápidos em apontar que os números de vendas mais fracos representam um sinal de problemas para os resultados financeiros da montadora.

Gordon Johnson, da GLJ Research, um dos mais duros críticos da Tesla, afirmou que se deve ter em mente que “a campanha negativa dos mídia afiliada ao estado dentro da China em torno da qualidade dos carros da Tesla não começou até ao final de abril. Portanto, o impacto (seja ele qual for) provavelmente não será visto até que os números de vendas de maio e junho de 2021 sejam divulgados.”

Ações em queda

As ações da Tesla caíram esta semana devido às preocupações com as vendas na China e a um relatório da Reuters, que dizia que a Tesla decidiu não comprar terras próximas à sua fábrica em Shangai para possível expansão futura.

As ações caíram 2% na terça-feira, quando os números iniciais da CPCA sugeriram uma queda de 27% nas vendas chinesas, caíram mais 4% na quarta-feira e fecharam em queda de 3% na quinta.

Um aumento espetacular no preço das ações de 743% em 2020 fez da Tesla uma das empresas americanas mais valiosas de qualquer tipo e, de longe, a montadora mais valiosa do mundo, valendo tanto quanto as outras seis maiores montadoras juntas.

Mas após continuar essa subida nas primeiras semanas de 2021, as ações chegaram ao topo no final de janeiro, depois de a empresa relatar lucros ligeiramente dececionantes no quarto trimestre.

As ações da Tesla perderam um terço do seu valor até ao encerramento de quarta-feira, em comparação com o seu preço recorde no final de janeiro, colocando-as no território de mercado em baixa.

CNN Brasil