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China alerta mercados de commodities de olho na inflação

O gabinete da China reforçou a retórica em torno da valorização dos preços das commodities e anunciou medidas mais específicas para supervisionar os mercados a fim de manter as pressões inflacionárias sob controlo.

Segundo informações divulgadas pela mídia estatal, durante uma reunião na quarta-feira presidida pelo primeiro-ministro da China, Li Keqiang, o Conselho de Estado disse que mais medidas precisam de ser tomadas para evitar que o aumento dos preços das commodities seja repassado aos consumidores.

Os comentários foram mais contundentes do que na semana passada. Na quarta-feira, o gabinete prometeu elevar a oferta doméstica para desacelerar os preços, uma supervisão mais rigorosa dos mercados à vista e de futuros, além de reprimir a especulação e apostas em grandes volumes. O alerta pressionou ainda mais para baixo as cotações das commodities e também atingiu os preços das ações na quinta-feira.

Os preços ao produtor na China subiram a um ritmo mais rápido em mais de três anos em abril, destacando os riscos da inflação global e o receio de que as pressões de preços possam espalhar-se pela economia. A inflação ao consumidor tem se mostrado relativamente benigna até agora, principalmente devido à queda dos preços da carne suína. O Banco Popular da China disse que os preços ao produtor devem estabilizar-se este ano e que os riscos da inflação importada são controláveis.

O gabinete disse que a política monetária não deve ser alterada, com o yuan mantido estável a um nível adequado e de equilíbrio. Segundo o gabinete, pequenas empresas receberão mais apoio através de ferramentas de repasse e redesconto, que fornecem financiamento a companhias específicas a um custo mais baixo e os bancos devem oferecer mais empréstimos sem garantia.

Zhou Guannan, analista da Hua Chuang Securities, disse que os comentários sugerem que as autoridades usarão tetos de preços administrativos e medidas para garantir a oferta com o objetivo de segurar os preços das commodities, em vez de apertar a política monetária.

Segundo Zhou, “a reunião do Conselho de Estado enviou um sinal claro de que a política monetária permanecerá estável e neutra e não será apertada por causa da inflação. Para a inflação causada principalmente pela falta de oferta, o efeito do aperto da política monetária é relativamente limitado.” O banco central não precisa de tomar medidas de aperto direto agora, e não há razão para o mercado de títulos se preocupar com uma redução da liquidez, afirmou.

O rendimento dos títulos públicos de 10 anos de referência da China caminha para fechar no menor nível desde setembro de 2020. Chen Xi, analista da Pacific Securities, disse que os yields devem cair para 2,8% a 2,9% com o retorno das apostas altistas.

Chen escreveu, na quinta feira num relatório, que “o maior fator negativo para o mercado de títulos, segundo o qual a política monetária possa ser apertada por causa da inflação, provou ser falso.”

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