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Importações recordes da China disparam commodities brasileiras

Na esteira da recuperação econômica à crise da Covid-19 e da aceleração da indústria da China, as importações do país asiático registaram crescimento recorde no mês de março.  Dados divulgados nesta terça-feira, apontam um salto de 38,1% nas importações chinesas em relação ao ano anterior, para o patamar inédito de 227,1 bilhões de dólares. Esta é a maior alta desde fevereiro de 2017 e surpreendeu o mercado, que projetava uma alta de 23,3%. Para o Brasil, a notícia é promissora e impulsiona ainda mais as ações das empresas parceiras da China, isso em meio ao real desvalorizado.

Nesta manhã, os papeis da siderúrgica CSN crescem 0,43%, a 44 reais, e ontem fecharam em valor recorde. No ano, a CSN acumula alta de 37,77%. As ações da Vale, por sua vez, acumulam crescimento de 18,23% no ano. Tudo por causa da demanda chinesa pelo minério de ferro.

Chama a atenção a alta da importação de produtos que lideram a comercialização entre Brasil e China, que é o principal parceiro internacional brasileiro. O minério de ferro teve alta de 18,9%, enquanto grãos de soja subiram 81,6%, óleo alimentar (que inclui óleo de soja) 66,1% e carne 11,4%. No mesmo período, em março, o Brasil bateu o recorde histórico de exportação de soja, com 13,4 milhões de toneladas, um crescimento de mais de 24% em relação ao mesmo mês de 2020, último recorde para o mês — 10 milhões de toneladas foram comprada apenas pela China.

Segundo Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting, “Nesta temporada, a soja nas bolsas de Chicago alcançou o melhor preço desde julho de 2013, perto dos 14 dólares”.

Além da retomada econômica, o recorde foi impulsionado pela alta nos preços das commodities, pressionadas pela volta da demanda internacional que formou um gargalo no escoamento da matéria prima. Além disso, a demanda interna chinesa aumentou, com expansão das encomendas de petróleo cru em 20,8%, de gás natural em 26,1%, de cobre bruto em 25% e de minério de cobre e concentrados em 22%.

Exportações

Enquanto as importações atingiram níveis recordes na China, as exportações cresceram em velocidade abaixo do esperado em março. A alta foi de 49% em relação ao ano anterior, enquanto em fevereiro o crescimento havia sido de 60,6%. Os analistas econômicos esperavam uma alta de 35,5%, portanto os resultados vieram acima da expectativa do mercado.

Ainda assim, o índice Shanghai Shenzhen CSI 300, que engloba as 300 maiores empresas do país, encerrou em queda de 0,16% nesta terça-feira. Os dados positivos geram uma preocupação nos investidores de que a rápida recuperação econômica chinesa possa antecipar a retirada de estímulos monetários do governo.

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