ptzh-CNen

Um dia após declaração de Guedes, Itamaraty diz que China é um “parceiro-chave” contra a Covid-19

O novo ministro das Relações Exteriores, Carlos França, nesta quarta-feira, afirmou que a China é um “parceiro-chave” do Brasil no combate à Covid-19.

França fez a declaração ao participar numa audiência da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados.

Nesta terça-feira, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou numa reunião que os chineses inventaram o vírus da Covid e que a vacina desenvolvida no país é “menos efetiva” do que a produzida nos Estados Unidos. Depois disso, afirmou ter usado uma “imagem infeliz” ao mencionar o tema.

Durante a audiência na Câmara, França afirmou que “a China é, ninguém ignora, outro parceiro-chave na matéria do combate à pandemia.”

Atualmente, a vacina CoronaVac, desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, é a responsável por cerca de 80% das pessoas vacinadas no Brasil. As restantes vacinas aplicadas no Brasil são imunizantes desenvolvidos pela parceria entre o laboratório Astrazeneca e a Universidade de Oxford.

Noutro momento da audiência, o novo chanceler brasileiro disse entender que Guedes já “esclareceu” o episódio e que a declaração do ministro da Economia “em nada prejudica” as relações entre o Brasil e a China.

O chanceler afirmou que tem uma “excelente relação com o embaixador da China. Estamos a tratar da aceleração da vinda de ifas (insumos farmacêuticos ativos) ao Brasil. O chanceler chinês foi o primeiro a falar comigo depois da posse. Prometeu ajudar-nos a trazer ao Brasil parte do stock da vacina da Sinopharm, logo que o brasil possa aprovar isso. A nossa relação não ficou afetada por causa desse comentário.”

De acordo com França, o ministro chinês “garantiu” que, em maio e em junho, haverá um aumento da produção de Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) pela China e que o Brasil está a controlar a situação para receber o insumo, necessário para produzir as vacinas contra a Covid-19.

Relações comerciais

Segundo o Ministério das Relações Exteriores, a China é o principal parceiro comercial do Brasil desde 2009.

De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, as relações comerciais entre o Brasil e a China “têm-se caracterizado por um notável dinamismo.”

Itamaraty afirmou, num texto publicado no site oficial, que “desde 2009, a China é o principal parceiro comercial do Brasil e tem sido uma das principais fontes de investimento externo no país. O relacionamento vai para além da esfera bilateral, pois ambos os países têm mantido diálogo também em mecanismos como o BRICS, G20, OMC e BASIC (articulação entre Brasil, África do Sul, Índia e China na área do meio ambiente).”

Ainda de acordo com a pasta, o comércio bilateral entre o Brasil e a China saltou de US$ 3,2 bilhões, em 2001, para US$ 98 bilhões, em 2019 (em 2018 foram US$ 98,9 bilhões).

Acrescentou ainda que “a China é o maior parceiro comercial do Brasil desde 2009. Em 2012, a China tornou-se o principal fornecedor de produtos importados pelo Brasil.”

Quebra de patentes

Durante a audiência na Câmara, o ministro das Relações Exteriores destacou a posição do Brasil, contrária à quebra de patentes de insumos e vacinas no combate à pandemia. O Senado está a discutir o tema.

Segundo França, este não é o caminho “mais eficaz”, uma vez que as dificuldades para obtenção de vacinas surgem de limites materiais de capacidade de produção.

O chanceler defendeu que “hoje, a melhor forma é incentivar a produção (local e global) e melhorar os critérios de distribuição com base nos critérios epidemiológicos. Nos locais onde a vacina for mais necessária, é para lá que, imediatamente, deve ir o maior número de doses.”

G1