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Especialista afirma que Brasil precisa de intercâmbio com a China para ter cidades inteligentes

Segundo o presidente da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), Mario William Esper, seria "fundamental" que o Brasil fizesse intercâmbios com a China para ter cidades inteligentes no país sul-americano, como Shangai.

Numa entrevista com a Xinhua, Esper apoiou cidades inteligentes e recomendou políticas públicas no Brasil voltadas para este novo conceito de município que melhora "a qualidade de vida da população."

"Seria fundamental fazer intercâmbios com a China", disse Esper, dando como exemplo a cidade chinesa de Shangai, que desenvolveu um sistema de acessibilidade de ruas tipo aéreo.

Ele explicou que “não se atravessa a rua, tudo é aéreo. Na limpeza do rio, há um barco que limpa o rio diariamente, constantemente, e é possível ver um rio que atravessa o centro da cidade completamente limpo. O transporte, o horário de partida e chegada, tudo funciona com milhares de pessoas em movimento.”

Para o entrevistado, “a China é um bom exemplo” com cidades como Shangai, que implementaram estes conceitos e ações, tanto na mobilidade quanto na internet, “campos necessários” para uma cidade inteligente.

O presidente da ABNT completou dizendo que “Shangai é uma cidade grande e inteligente com uma sensibilidade fantástica para ser uma cidade inteligente.”

A ABNT é o órgão responsável pela padronização técnica no Brasil, fornecendo o necessário para o desenvolvimento tecnológico no país sul-americano, bem como uma das vozes que mais fortemente defende a implementação de cidades inteligentes.

Esper lembrou que cidades inteligentes são aquelas "que estão ligadas à sociedade, cidades que facilitam a vida do município, do usuário, tanto no transporte quanto na conectividade na era digital, na acessibilidade, principalmente".

"Eles fazem isso economizando tempo de transporte e facilitando uma melhor qualidade de vida para a população", argumentou ele.

Ele comentou que no Brasil, a cidade inteligente ainda é um “assunto privado”, com iniciativas de alguns institutos ou do Parque Tecnológico de São José dos Campos, em São Paulo.

“Infelizmente não temos nenhum programa governamental consolidado de algo que deveria ser uma política pública”, acrescentou o especialista.

A fim de classificar uma cidade como inteligente, o presidente da ABNT explicou que é necessário ter uma medida e um padrão.

Ele disse que “isto é precisamente o que estamos a fazer na ABNT junto com os fóruns internacionais.” Já temos padrões globais para cidades inteligentes, que têm seus indicadores, cerca de 80, e se consolidarmos estes indicadores, é possível consolidar uma cidade como inteligente.”

Disse também que "oitenta por cento dos municípios brasileiros têm menos de 60.000 habitantes. Nessas cidades, mais de 50% do transporte é feito a pé e não por transporte público. Portanto, há necessidade de definir para essas cidades pequenas e médias uma política pública de cidades inteligentes, principalmente no transporte.”

Citou como exemplo que à alguns anos foi feito um exercício muito interessante em São José dos Campos, no qual após uma reformulação de suas ruas no centro da cidade, os acidentes diminuíram em 70%, já que não eram adequados ou estavam cheios de buracos.

“Isto é importante para as cidades, que elas tenham estradas adequadas, acessibilidade adequada para que as pessoas possam viajar sem o risco de acidentes.” O que falta são recursos públicos para poder agir e tornar as cidades inteligentes", disse ele.

“Existem mais de 80 indicadores para se tornar uma cidade inteligente.” Nem todos eles podem ser alcançados de uma só vez, portanto é preciso definir prioridades e estas prioridades dependem de cada município", acrescentou.

Ele explicou que enquanto alguns municípios precisam melhorar as estradas, outros precisam de melhores transportes públicos, ou seja, dependendo das necessidades.

"O que eu recomendo é priorizar estas prioridades e adaptá-las aos indicadores das cidades inteligentes", disse Esper.

Olhando para o futuro, o entrevistado espera que a chegada ao Brasil da quinta geração da Internet (5G) ajude a ter cidades inteligentes.

"A 5G favorecerá cidades inteligentes, principalmente no desenvolvimento de aplicações para o uso comum da população, tais como consultas médicas que podem ser agendadas a partir do telefone", disse ele.

Também mencionou aplicações em transporte ou comércio, cuja maior velocidade da Internet “facilitará este acesso a tudo o que é digital.”

Spanish Xinhua