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Fiocruz e Butantan confirmam chegada de insumos da China para fabricação de 25 milhões de doses

A Fiocruz e o Instituto Butantan confirmaram para os próximos dias a chegada de insumos da China para fabricar 25 milhões de doses de vacinas.

As últimas remessas do ingrediente farmacêutico ativo da China para o Brasil foram enviadas em abril. Para a CoronaVac, do Butantan, dia 19. O instituto está, desde sexta-feira, com a produção de novas doses totalmente suspensa. No dia 24, foi a vez da chegada para a AstraZeneca da Fiocruz.

Mesmo dependendo tanto dos chineses, o governo Bolsonaro continua a provocar. No dia 5 de maio, o presidente Jair Bolsonaro voltou a fazer insinuações sobre a origem do vírus sem citar abertamente a China: “É um vírus novo, ninguém sabe se nasceu em laboratório ou nasceu por algum ser humano ingerir um animal inadequado. Mas está aí. Os militares sabem o que é guerra química, bacteriológica e radiológica. Será que estamos a enfrentar uma nova guerra? Qual o país que mais cresceu seu PIB? Não vos vou dizer.”

Depois dessas declarações, a China não entregou mais IFA ao Brasil e alegou problemas burocráticos. Mas a 7 de maio, dois dias depois da provocação feita por Bolsonaro, os ministros da Economia, da Saúde e das Relações Exteriores fizeram um apelo ao embaixador da China para que ajudasse na liberação do insumo.

Segundo o Jornal Nacional apurou, nessa reunião por videoconferência, a embaixada da China reclamou dos constantes ataques do governo brasileiro e cobrou manifestações públicas de apoio ao governo chinês.

Nesta segunda, em audiência no Senado, o Itamaraty amenizou os atritos e elogiou a China.

Segundo João Lucas Quental de Almeira, diretor do DDHH e Cidadania do Ministério das Relações Exteriores. “nós devemos, de facto, louvar a China nesse sentido, porque a China é o país que realmente tem mais exportado IFAs e vacinas neste momento de pandemia. E nós reconhecemos plenamente esse esforço gigantesco da China para ajudar o mundo e o Brasil, em particular, neste momento.”

A senadora Kátia Abreu, do Progressistas, presidente da Comissão de Relações Exteriores, reconheceu a corrida pelo IFA chinês e pediu que o governo brasileiro pare de atrapalhar as ações diplomáticas.

Segundo afirmou, “os ataques que têm sido feitos pelo próprio presidente Bolsonaro e outros ministros do governo, atrapalham o trabalho do embaixador chinês no Brasil. Eu peço mais uma vez ao chanceler França, através do embaixador João Lucas, que, por favor, oriente o governo a não nos atrapalhar. Se ele não acredita na vacina, não é uma opinião geral do país.”

O ex-embaixador do Brasil em Washington, Rubens Barbosa, considera os atrasos nas entregas uma resposta da China às provocações do governo brasileiro.

Segundo o embaixador, “é uma maneira diplomática do governo chinês responder à maneira como o governo e a vacina foram preteridos pelo governo brasileiro. É uma maneira diplomática, não muito violenta, não muito direta, de dizer que isso teve consequências. Quer dizer, quanto mais se atacar, mais se atrasa.”

Nesta segunda, tanto o Butantan quanto a Fiocruz confirmaram que vão receber nos próximos dias lotes do IFA que estavam atrasados. O governador de São Paulo, João Doria, do PSDB, voltou a reclamar dos ataques do governo Bolsonaro e confirmou a chegada de um novo lote de insumos. A matéria-prima, prevista para o dia 14 de maio, só deve chegar no dia 26, e serão 4 mil litros, 6 mil a menos do prometido inicialmente.

A Fiocruz disse, em nota, que receberá dois lotes para a produção da vacina no dia 22, insumo suficiente para a produção de cerca de 12 milhões de doses e ressaltou que, com as novas remessas, as entregas de vacinas estão asseguradas até à terceira semana de junho.

Mesmo assim, a Fiocruz informou que será necessário interromper a produção na próxima quinta-feira, até à chegada do novo lote de insumo.

E a partir da madrugada desta terça-feira, o Ministério da Saúde começa a distribuir 6,4 milhões de doses de vacinas, nomeadamente 4,7 milhões da AstraZeneca/Fiocruz, pouco mais de 1 milhão da CoronaVac/Butantan e 647 mil da Pfizer/BioNTech.

Jornal Nacional