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Primeiro escrito de um chinês sobre Europa e Portugal em fase de tradução

Está em fase de tradução, há oito anos, a primeira crónica escrita por um chinês sobre o mundo ocidental, com foco em Portugal e na Europa. A língua usada no antigo documento é o cantonês dos finais do século XVIII, o que acrescenta uma enorme complexidade ao projeto, segundo contou ao “Hoje Macau” Rui Lourido, presidente do Observatório da China, que propôs a publicação da crónica produzida em Macau.

O projeto tem vindo a ser desenvolvido com os especialistas da Academia de Ciências Sociais de Cantão e com a Universidade de Macau (UM), incluindo o apoio da Fundação Macau (FM). “Temos uma equipa de investigação composta por uma série de professores, e temos o próprio Yao Jingming a levar este projeto para a frente.”

“Há oito anos que tentamos encontrar apoios e temos vindo a estudar a crónica. A FM dá o seu apoio, mas é necessária uma equipa de investigação, uma vez que se trata de um trabalho histórico demorado.”

O objetivo é publicar a crónica em livro e também online, em três línguas, incluindo o português e o inglês, uma vez que apenas foi publicada na China no início do século XIX, no idioma original.

Em Macau

A crónica nasce “de uma história interessantíssima”, conforme contou Rui Lourido. “Trata-se de um chinês que naufraga nos mares da China, junto ao Japão, e é salvo por uma embarcação portuguesa. Ele aproveita e vem de viagem até ao Ocidente e descreve todo o trajeto.”

Segue-se um período de 15 anos de vivência na Europa, incluindo a presença em Portugal. No texto, é feita a descrição “dos usos, costumes, fortalezas, cidades que visita" e, aquando do regresso, o autor da crónica fica em Macau. Acaba por ficar cego e é no território que dita tudo aquilo que viu “a um amigo mandarim."

“É esse o escrito que vem a ser publicado já depois da sua morte. Mas trata-se de uma escrita em chinês dos finais do século XVIII, e estamos com algumas dificuldades na localização dos topónimos”, descreveu Rui Lourido.

Por fases

Outro projeto em desenvolvimento pelo Observatório da China é a grande biblioteca digital Macau-China, que já conta com mais de 200 mil páginas gratuitas disponíveis com todas as obras publicadas sobre Macau e China entre os séculos XVI e XIX. “Há textos em português e o projeto é apoiado pela FM. Tem uma série de fases e vai-se desenvolvendo”, disse Rui Lourido. Atualmente está a ser introduzida a cartografia sobre Macau e a China correspondente aos séculos XVI e XIX.

Hoje Macau

UE congela acordo de investimentos com a China

A Comissão Europeia suspendeu, na terça-feira, os seus esforços para ratificar na União Europeia (UE) o acordo sobre investimentos assinado com a China, em dezembro do ano passado, em decorrência da atual conjuntura política inadequada.

A informação foi confirmada pelo vice-presidente da Comissão Europeia, Valdis Dombrovskis, em entrevista à AFP.

Segundo Dombrovskis, “no momento, suspendemos os esforços da Comissão para aumentar a consciência política, porque é claro que na situação atual, com as sanções da UE contra a China e contra as sanções chinesas, inclusive contra membros do Parlamento Europeu, o ambiente não é propício à ratificação do acordo.”

A decisão foi tomada em decorrência das sanções impostas pela UE aos funcionários chineses pelo tratamento dado à minoria muçulmana uigur.

Para o ministro das Relações Exteriores da Itália, Luigi Di Maio, “o acordo comercial é um acordo entre a UE e a China e é óbvio que deve ser coordenado pela Comissão.” No entanto, “a Itália trabalha em sinergia com Bruxelas sobre o calendário da ratificação.”

O ministro afirmou também que “a China foi um tema central da reunião ministerial com particular atenção à questão dos direitos humanos, mas também com foco em manter abertos os canais de diálogo sobre questões como o clima, a sustentabilidade ambiental, que necessariamente vê a China como um ator fundamental.”

UOL

Hungria concorda abrir campus universitário chinês em Budapeste até 2024

A Hungria assinou um acordo para a abertura de um campus universitário chinês em Budapeste, até 2024.

O acordo tornaria o campus universitário da Universidade Fudan, com sede em Shangai, no primeiro campus universitário chinês da União Europeia.

Autoridades húngaras insistem que a Fudan, classificada entre as 100 melhores universidades do mundo, ajudará a elevar o padrão do ensino superior na Hungria, oferecendo cursos para 6.000 estudantes húngaros, chineses e outros, trazendo investimento chinês e pesquisa para o país.

Mas os críticos do plano dizem que o investimento maciço coloca uma carga financeira indevida sobre os contribuintes húngaros e que é indicativo do encerramento dos laços do primeiro-ministro Viktor Orban com as autocracias em Moscovo e em Pequim.

Segundo o prefeito do Budapeste, Gergely Karacsony, “eles querem trazer uma universidade que é realmente uma universidade séria em nível internacional, mas sua carta exige que ela represente a visão mundial do Partido Comunista Chinês.”

Documentos governamentais, obtidos em abril, pelo centro de jornalismo de investigação húngaro Direkt36, mostram que os custos de construção antes de impostos do campus de 64 acres estão estimados em US$ 1,8 bilhões, mais do que a Hungria gastou em todo o seu sistema de ensino superior em 2019.

O Estado planeia financiar cerca de 20% do projeto a partir do seu orçamento central e o restante através de um empréstimo de US$ 1,5 bilhões de um banco chinês.

De acordo com os documentos, a construção será realizada utilizando principalmente materiais e mão-de-obra chinesa.

O governo da Hungria, que se envolve em frequentes batalhas com a UE, tem seguido uma estratégia económica que se chama de "Abertura Oriental", que favorece o aumento da cooperação diplomática e do comércio com países como a China, Rússia, Turquia e outros na Ásia Central.

Karacsony disse que as políticas haviam feito da Hungria “uma espécie de bastião avançado das grandes potências orientais na União Europeia.”

China ampliando o poder 

No ano passado, a Hungria concordou em tomar um empréstimo de US$ 2 bilhões do Exim Bank da China para a construção de uma linha ferroviária entre Budapeste e Belgrado, capital da Sérvia, parte da iniciativa global “Uma Faixa, Uma Rota”, da China.

A Hungria também hospeda o maior centro de abastecimento da empresa chinesa de telecomunicações Huawei fora da China e é o único país da UE a aprovar uma vacina chinesa contra a COVID-19.

De acordo com Peter Kreko, diretor do grupo de reflexão “Capital Política”, em Budapeste, o desenvolvimento da Fudan é parte de uma tendência da China de estender o poder e a influência suave através de programas de educação e investimentos na região.

"No caso da linha ferroviária de Budapeste a Belgrado e no caso da universidade de Fudan, a China recebe tudo, recebe muitos contratos para as suas empresas, pode dar um empréstimo por uma taxa de juros bastante alta e também pode comprar a influência política. Portanto, tanto o beneficiário político quanto o beneficiário económico destes dois projetos são a China, por um lado, e, por outro, as elites governamentais húngaras", disse Kreko.

Euronews

União Europeia volta a entrar em recessão e perde fôlego frente aos EUA e à China

A União Europeia voltou a estacionar a recuperação económica e entrou em recessão no primeiro trimestre deste ano. Segundo dados antecipados, nesta sexta-feira, pelo órgão estatístico Eurostat, as duras medidas de restrição impostas para frear a onda de contágios da covid-19 do inverno europeu arrastaram as economias da zona euro para um retrocesso de 0,6% no produto interno bruto (PIB), em relação ao trimestre anterior. A queda, puxada pela Alemanha, foi de 0,4% para o conjunto da UE (incluindo os países que não adotam o euro). Com o plano de recuperação ainda por executar, a UE perde fôlego e encadeia dois trimestres de quedas do PIB, ao contrário dos Estados Unidos e da China, cujo crescimento se acelerou no começo do ano. A nova freada, além disso, coloca mais pressão sobre os países para que mantenham as regras fiscais suspensas em 2022.

A economia chinesa demorou poucos meses para recuperar o PIB anterior à pandemia. Os Estados Unidos já quase conseguiram o mesmo, graças à progressiva abertura social e económica e aos estímulos fiscais, embora os analistas prevejam que a maior explosão esteja a ocorrer agora. A União Europeia, por outro lado, tornou a ficar para trás. As duras restrições na Alemanha e a dureza climática no sul do continente fizeram os sócios da UE voltar aos números vermelhos e perder terreno, mais uma vez, em comparação com seus principais competidores mundiais.

Bruxelas já tinha prenunciado nas suas previsões económicas de fevereiro que a Europa deveria passar pelo purgatório antes de emergir. A Comissão apontava uma contração de 0,8% do PIB para a UE e de 0,7% na zona do euro, por isso, na verdade, o comportamento real das economias da UE acabou por ser melhor que o previsto. A partir de agora, segundo as previsões, a economia deve ir recuperando, para se expandir com mais força no verão europeu, no terceiro trimestre, quando a velocidade do processo de vacinação deve permitir uma volta, embora limitada, do setor turístico, crucial no sul da Europa.

O desabamento da economia na Alemanha (-1,7%) explica parte desse baque. A locomotiva europeia viu-se castigada pelas medidas de confinamento, por um inverno duro para a construção civil e por incidentes nas cadeias de suprimento. Mas também retrocederam outras duas grandes economias: Espanha (-0,5%) e Itália (-0,4%). E junto a elas Portugal (-3,3%), Letônia (-2,6%) e a República Checa (-0,1%). A surpresa veio da França e da Bélgica, que apesar das duras medidas anticovid aplicadas pelos seus governos obtiveram uma expansão de 0,4% e 0,6% do PIB, respetivamente, no começo do ano.

Otimismo para o segundo semestre

Com estes dados, Bruxelas deixa o processo de recuperação em ponto-morto até ao segundo semestre do ano. Até lá, o processo de vacinação deveria permitir que os setores mais vinculados ao lazer e à cultura continuassem a recuperar o pulso. Segundo afirmou o comissário (ministro) de Economia da UE, Paolo Gentiloni, através da sua conta do Twitter, “Isto será outro ligeiro declínio para a economia europeia no primeiro trimestre. Mas a recuperação está em marcha e será forte na segunda metade do ano, graças também ao fundo Next Generation EU.”

Segundo Bert Colijn, economista do ING para a zona do euro, a atividade já começou a recuperar. “As pequenas medidas de flexibilidade nas restrições tiveram efeitos bastante fortes no consumo, o que significa que os consumidores parecem ansiosos por gastar quando ocorre uma reabertura”, afirma.

As empresas europeias também acreditam que a recuperação está por chegar. Assim aponta o indicador sobre o sentimento económico (ESI, na sigla inglesa) publicado pela Comissão Europeia para o mês de abril, indicando que a confiança empresarial volta a estar novamente nos níveis anteriores à eclosão da pandemia, especialmente no setor industrial, que se beneficia da rápida recuperação da China e dos Estados Unidos. Segundo a Eurostat, além disso, a inflação voltou a subir e situou-se em 1,6% no mês de abril.

Em todo caso, a Europa continua a avançar para a recuperação económica arrastando os pés, o que gera mais pressão sobre Bruxelas para que acione as engrenagens do fundo de recuperação. Paris, Madrid, Roma e Lisboa ficam impacientes, depois de passarem seis meses a negociar os seus planos. O Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional igualmente cobram avanços com urgência. Entretanto, a Comissão recorda que ainda há oito países pendentes de ratificar os acordos que lhes permitiriam entrar nos mercados de dívida. Os mais otimistas acreditam que as primeiras entregas do pacote maciço de 750 bilhões de euros (4,9 trilhões de reais) começarão a fluir em julho. Os mais pessimistas acreditam que só será em setembro.

A próxima parada, entretanto, é a decisão sobre deixar ou não ativa a cláusula geral de escape, que na prática suspende as regras fiscais. O sul da Europa reclama esse alívio para poder continuar a oxigenar as suas economias, manter vivas as empresas feridas pela pandemia e salvar postos de trabalho. Por enquanto, a taxa de desemprego mantém-se sob as rédeas, em 8,1% no conjunto da UE, apenas oito décimos a mais que um ano atrás. Bruxelas quer que se mantenha a boca-livre, mas Berlim pede antes para ver as previsões económicas do ano. Os novos números podem dobrar as eventuais reticências de alguns dos falcões.

El País

Envidar esforços conjuntos para salvaguardar o desenvolvimento saudável das relações China-UE

Como o maior país em desenvolvimento e o maior bloco dos países desenvolvidos, respetivamente a China e a União Europeia (UE), são duas forças que salvaguardam a paz mundial. Como duas economias importantes do mundo, a China e a União Europeia são os dois mercados que promovem o desenvolvimento comum. Como dois berços de civilizações, a China e a União Europeia possuem civilizações que promovem o progresso da humanidade. A nossa cooperação vai muito além do âmbito bilateral, e possui um significado especial e um valor global. A China e a UE persistem em diálogo, abertura, cooperação e multilateralismo, injetam energia positiva na resposta conjunta aos desafios globais e na promoção da recuperação económica. Com história, tradição, sistema social e fases de desenvolvimento distintos, a China e a União Europeia possuem diferenças no sistema político e modo de desenvolvimento, mas entre as nossas duas partes não há conflito fundamental. A história do intercâmbio sino-europeu prova, por várias vezes, que tratamento igual, respeito mútuo, busca de convergências enquanto se preservam divergências e expandir interesses comuns no meio de cooperação são experiências preciosas para manter o desenvolvimento saudável e constante das relações China-UE.

Lamentavelmente, baseado em mentiras e desinformações fabricadas por uns elementos anti-China, a União Europeia decidiu impor sanções unilaterais a indivíduos e entidades chinesas com um pretexto de alegada "questão de direitos humanos de Xinjiang." A decisão da UE prejudica profundamente as relações China-União Europeia e a sua confiança mútua. A parte chinesa já fez solenemente a sua representação junto da União Europeia e decidiu impor sanções a entidades e indivíduos que prejudiquem a soberania e os interesses da China, que disseminem mentiras e promovam a desinformação. Essa é a prática justa da China para salvaguardar os seus interesses legítimos e é um contra-ataque justificado e razoável.

A posição da China é sempre clara e constante quanto ao desenvolvimento das relações com a UE. A parte chinesa quer diálogo em vez de confrontação, quer defender tratamento com uma mentalidade aberta e inclusiva, gerir e resolver divergências através de negociação. Esperamos que a União Europeia possa excluir interferência exterior e envidar esforços com a parte chinesa, focalizar em aprofundamento da cooperação, para salvaguardar conjuntamente o desenvolvimento saudável das relações China-União Europeia.

Portugal é um país membro importante na União Europeia e é bom amigo e bom parceiro da China no quadro da UE. Em 2009, sob o empenho de Portugal, o Tratado de Lisboa entrou em vigor, abrindo uma nova página da integração europeia. Nos últimos anos, com as suas vantagens na história, na cultura, na tradição e na localização geográfica, Portugal desempenha um papel cada vez mais importante no palco internacional. Atualmente, Portugal assume a presidência da União Europeia e encarrega as missões como promoção da recuperação, aceleração da transição verde e digital e aprofundamento da cooperação pragmática entre a União Europeia e o resto do mundo. A China apoia o trabalho da presidência de Portugal e apoia uma Europa estável e próspera a desempenhar maiores funções no palco internacional. Como o país que preside atualmente ao Conselho da União Europeia, a parte chinesa espera que a parte portuguesa possa desempenhar funções construtivas e promover mais países da União Europeia a olharem a China numa perspetiva objetiva, justa e racional e realizarem diálogo e intercâmbio com a China no espírito de tratamento igual e ganhos compartilhados, contribuindo para o aprofundamento constante do relacionamento China-União Europeia.

Embaixador da República Popular da China em Portugal

Diário de Notícias

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