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Hungria concorda abrir campus universitário chinês em Budapeste até 2024

A Hungria assinou um acordo para a abertura de um campus universitário chinês em Budapeste, até 2024.

O acordo tornaria o campus universitário da Universidade Fudan, com sede em Shangai, no primeiro campus universitário chinês da União Europeia.

Autoridades húngaras insistem que a Fudan, classificada entre as 100 melhores universidades do mundo, ajudará a elevar o padrão do ensino superior na Hungria, oferecendo cursos para 6.000 estudantes húngaros, chineses e outros, trazendo investimento chinês e pesquisa para o país.

Mas os críticos do plano dizem que o investimento maciço coloca uma carga financeira indevida sobre os contribuintes húngaros e que é indicativo do encerramento dos laços do primeiro-ministro Viktor Orban com as autocracias em Moscovo e em Pequim.

Segundo o prefeito do Budapeste, Gergely Karacsony, “eles querem trazer uma universidade que é realmente uma universidade séria em nível internacional, mas sua carta exige que ela represente a visão mundial do Partido Comunista Chinês.”

Documentos governamentais, obtidos em abril, pelo centro de jornalismo de investigação húngaro Direkt36, mostram que os custos de construção antes de impostos do campus de 64 acres estão estimados em US$ 1,8 bilhões, mais do que a Hungria gastou em todo o seu sistema de ensino superior em 2019.

O Estado planeia financiar cerca de 20% do projeto a partir do seu orçamento central e o restante através de um empréstimo de US$ 1,5 bilhões de um banco chinês.

De acordo com os documentos, a construção será realizada utilizando principalmente materiais e mão-de-obra chinesa.

O governo da Hungria, que se envolve em frequentes batalhas com a UE, tem seguido uma estratégia económica que se chama de "Abertura Oriental", que favorece o aumento da cooperação diplomática e do comércio com países como a China, Rússia, Turquia e outros na Ásia Central.

Karacsony disse que as políticas haviam feito da Hungria “uma espécie de bastião avançado das grandes potências orientais na União Europeia.”

China ampliando o poder 

No ano passado, a Hungria concordou em tomar um empréstimo de US$ 2 bilhões do Exim Bank da China para a construção de uma linha ferroviária entre Budapeste e Belgrado, capital da Sérvia, parte da iniciativa global “Uma Faixa, Uma Rota”, da China.

A Hungria também hospeda o maior centro de abastecimento da empresa chinesa de telecomunicações Huawei fora da China e é o único país da UE a aprovar uma vacina chinesa contra a COVID-19.

De acordo com Peter Kreko, diretor do grupo de reflexão “Capital Política”, em Budapeste, o desenvolvimento da Fudan é parte de uma tendência da China de estender o poder e a influência suave através de programas de educação e investimentos na região.

"No caso da linha ferroviária de Budapeste a Belgrado e no caso da universidade de Fudan, a China recebe tudo, recebe muitos contratos para as suas empresas, pode dar um empréstimo por uma taxa de juros bastante alta e também pode comprar a influência política. Portanto, tanto o beneficiário político quanto o beneficiário económico destes dois projetos são a China, por um lado, e, por outro, as elites governamentais húngaras", disse Kreko.

Euronews