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Ritmo de vacinação da União Europeia ultrapassa o de EUA e China

Uma das grandes lições que podemos retirar da pandemia é a de que um facto consolidado hoje pode já não o ser amanhã. Neste momento, contudo, de acordo com os dados recolhidos na plataforma Our World in Data, o ritmo de vacinação da União Europeia (UE) ultrapassa o registado nos Estados Unidos da América e na China.

Em média, a UE administrou 0,67 doses de vacinas anticovid-19 por cada 100 habitantes por dia na última semana. Os EUA e a China ficaram perto, 0,65 e 0,64 doses por 100 habitantes, respetivamente. Ainda assim, a UE ficou atrás do Reino Unido, que aplicou 0,73 doses por 100 habitantes.

Na análise de Miguel Prudêncio, investigador principal do Instituto de Medicina Molecular (iMM), da Faculdade de Medicina na Universidade de Lisboa, a razão para esta evolução deverá estar relacionada principalmente com o cumprimento dos contratos acordados entre as farmacêuticas e a Comissão Europeia.

Segundo analisou, “os dados sugerem-me que, do ponto de vista das entregas e cumprimentos dos contratos, as coisas estão a correr melhor do que já estiveram, é a explicação mais óbvia. Também mostra que, havendo vacinas disponíveis, os países europeus, e Portugal, têm capacidade para as administrar e ter um bom ritmo de vacinação. Já foi dito por várias pessoas, e o próprio vice-almirante Henrique Gouveia e Melo também já referiu isso. Desde que tenhamos as vacinas, temos capacidade para as dar. Tenderia a dizer que este ritmo, mais do que por questões científicas, terá que ver sobretudo com a capacidade de cumprir os contratos.”

No ranking do ritmo de vacinação na UE, Portugal está em 12.º lugar. De acordo com os mais recentes dados, mais de 30% dos portugueses já receberam pelo menos uma dose da vacina para a covid-19, com 11,59% da população totalmente vacinada.

O plano de vacinação contra a covid-19 na União Europeia, iniciado no final de dezembro de 2020, começou com vários “solavancos”: a 15 de janeiro, a Pfizer anunciou que iria atrasar as entregas das vacinas, devido aos trabalhos na fábrica da farmacêutica na Bélgica.

Dias depois, seria a AstraZeneca a comunicar constrangimentos na distribuição de milhões de vacinas. No total, a farmacêutica tinha contratualizado 80 milhões de vacinas para o primeiro trimestre de 2021.

Lentamente, a chegada das vacinas aos países europeus acontecia com maior frequência. Às restrições e limitações, a Comissão Europeia respondeu com a antecipação das entregas e negociações para anos futuros. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou em abril que está a ser gizado um acordo com a Pfizer para que sejam asseguradas 1,8 mil milhões de doses suplementares em 2022 e 2023.

Com um maior ritmo de vacinação está o Reino Unido, que traçou o objetivo de vacinar todos os adultos até ao final de julho. Miguel Prudêncio destaca a diferente abordagem adotada pelos britânicos na fase inicial do esquema de vacinação.

Segundo explicou Miguel Prudêncio, “com o regime de administração que temos na Europa, estamos a atingir a segunda dose, em média, mais cedo do que o Reino Unido. Eles atrasaram a segunda toma, uma opção cientificamente defensável, porque a primeira dose concede proteção e a segunda vem reforçar isso. O Reino Unido acabou por ter muita gente vacinada com uma dose. Na Europa o nosso esquema vacinal tem 28 dias de intervalo.”

Público